3 Razões Para Aumentar a Eficiência de Descarga na Colheita da Soja

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Artigo extraído do blog do Roberto Basioto

Na colheita de soja, o tamanho do tanque e a vazão de descarga de grãos das colheitadeiras bem como o regime de descarregamento adotado (com paradas ou simultâneo à colheita) são fatores que impactam no faturamento do produtor, pois estão diretamente relacionados com (1) a redução do atraso de colheita, (2) redução do atraso do plantio do milho safrinha além de contribuir com a possibilidade de (3) redução de entrega de grãos fora da faixa ideal de umidade nas unidades armazenadoras.

Considerando algumas premissas de colheita e de dimensionamento de frota*, uma colheitadeira teria o potencial de colher 3160 ha em 45 dias efetivos de safra se fosse adotado um regime de descarregamento simultâneo à colheita. No entanto, se houvesse a necessidade de paradas para descarregar o tanque de grãos, uma mesma colheitadeira poderia levar de 10 a 12 dias a mais para colher a mesma área. Este período adicional de colheita, impactaria na perda de rentabilidade do produtor por (1) redução da produtividade da lavoura, (2) por redução da produtividade do milho em função do atraso do plantio e pela (3) maior possibilidade de colheita com elevados níveis de umidade.

A tabela a seguir simula as vantagens de se adotar o descarregamento simultâneo à colheita e a adoção de colheitadeiras com maiores tanques e vazão de grãos.

Tabela 1. Atraso de colheita em função do regime de descarregamento e da capacidade do tanque e vazão de descarga de grãos (simulação).

Experimentos realizados em Ponta Grossa-PR (Borges et al., 2006) e em Castro-PR (Tsukahara et al. 2016) comprovaram que houve perdas significativas de produtividade (kg/ha) da soja em consequência do atraso da colheita após o estádio R8 da soja (início de colheita recomendado pela Embrapa). Para 50 dias de atraso, as perdas de produtividade encontradas no primeiro experimento variaram de 22% a 100% (sendo analisado quatro variedades de soja) e no segundo experimento (com uma variedade e em sete ambientes) as perdas variaram de 4,9% (para 5 dias de atraso) até 28,7% (para 50 dias de atraso). Com base nestes estudos, para cada dia de atraso poderia se considerar uma perda de produtividade em torno de 1 saca a cada 3 hectares. Somado a isso, e levando-se em consideração que o atraso na colheita de soja tem impacto no atraso do plantio do milho safrinha, um produtor pode perder cerca de 1 saco de milho/ha para cada dia de atraso no plantio segundo dados do departamento técnico de agronomia da Pioneer.

Além da perda de faturamento pelo atraso (perda de produtividade da lavoura e perda de produtividade do milho), o tipo de descarregamento adotado e a capacidade do tanque e vazão de descarga de grãos, podem contribuir com a entrega de um produto colhido com umidade fora da faixa ideal de maior remuneração, uma vez que, para evitar perda de tempo, em alguns casos há a escolha de se colher com umidade acima de 14%, o que acarreta em descontos para o produtor começando com algo em torno de 2% (1,2 sacas/ha) para 15% de umidade e passando de 16% para umidades acima de 25% o que poderia representar cerca de 9 sacas/ha (Esalq-Log).

Portanto, o aumento da eficiência de colheita, seja com o regime de descarregamento simultâneo à colheita, seja com a adoção de colheitadeiras com maiores capacidades de tanque e vazão de grãos, contribuem com o aumento do faturamento do produtor e devem ser sempre considerados nos momentos de dimensionamento de frota e na seleção/aquisição de novas colheitadeiras.

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* Premissas para os cálculos deste artigo:

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